O dinheiro aumenta, mas não dá para comprar nada’: por que o brasileiro não sente a melhora da economia?

Crescimento do PIB versus poder de compra

O Brasil observou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,3% em 2025, marcando o quinto ano consecutivo de alta. Entretanto, a realidade para muitos cidadãos é de que, apesar desse avanço econômico, o dinheiro no bolso parece escasso ao final do mês. O aumento do PIB não se traduziu em um aumento proporcional na sensação de bem-estar financeiro para a população.

Essa dissonância está claramente exemplificada na experiência de Cibelle, uma diretora de escola, que relata que, mesmo com a renda familiar mantida, a necessidade de controlar os gastos se tornou cada vez mais crítica para não comprometer o orçamento mensal. Seu testemunho revela ajustes na rotina, como a redução de jantares fora e a diminuição do uso do cartão de crédito.

Desemprego em queda, mas contas altas

Apesar de o Brasil registrar a menor taxa de desemprego da história em 2025, com média anual de apenas 5,6%, muitos ainda encontram dificuldades financeiras. O rendimento real médio atingiu R$ 3.560, um indicador positivo, mas que não é suficiente para a maioria das famílias, que se veem obrigadas a fazer sacrifícios em suas despesas. O caso da aposentada Maria Madalena ilustra essa realidade: ela trocou carne bovina por frango e passou a parcelar suas compras, revelando uma clara sensação de perda de poder aquisitivo.

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O impacto da inflação na vida das famílias

Ainda que a inflação tenha desacelerado, encerrando o ano em 4,26%, essa alta permanece consumindo o poder de compra das famílias brasileiras, especialmente as de baixa renda. A economista Silvia Matos observa que a pressão inflacionária impactou diretamente o consumo, limitando a capacidade de compra de bens essenciais.

Durante 2025, o pesado aumento nos preços de itens básicos, como alimentos e contas de serviços públicos, tem sido particularmente devastador para quem já vive com o orçamento esticado. As experiências de Edivânia, auxiliar de limpeza, e de Sebastiana, aposentada, expressam a luta diária para equilibrar as contas e a sensação de que o dinheiro não rende.

Aumento do endividamento entre brasileiros

Os dados mais recentes revelam que 73,5 milhões de brasileiros estavam negativados em dezembro de 2025, um número alarmante que equivale a quase 45% da população adulta. O uso do cartão de crédito tem se tornado um dos principais responsáveis por esse endividamento, com taxas de juros que muitos consideram abusivas. Jayme Asfora, um procurador, descreve suas experiências como um esforço contínuo para evitar a armadilha da dívida, quebrando cartões e priorizando gastos essenciais.



Como o consumo se comporta em tempos de crise

A diminuição no consumo é uma resposta natural da população diante da instabilidade econômica. Mesmo com a renda melhorando, muitos consumidores, como o assistente de e-commerce David, perceberam a necessidade de planejar cada compra antes de realizar um gasto. Essa cautela se reflete em decisões de vida, como deixar de viajar e aprimorar o controle das finanças pessoais, demonstrando uma adaptação ao novo cenário econômico.

Diferenças na economia: ricos e pobres

O crescimento econômico brasileiro não é homogêneo. Embora setores como tecnologia e finanças tenham contratado mais, trabalhadores de áreas que dependem fortemente do crédito, como a construção civil, encontram-se em situações adversas. Esse contraste leva à coexistência de indicadores macroeconômicos positivos e uma realidade de dificuldades enfrentadas pela maioria, criando um verdadeiro enigma econômico.

A influência dos juros no crédito

Para tentar controlar a inflação e estimular a economia, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em 2,25 pontos percentuais durante o ano, alcançando 15% ao final de 2025. Essa decisão implica um encarecimento do crédito, afetando diretamente o financiamento de bens duráveis, como veículos e eletrodomésticos, e limitando as possibilidades de compra das famílias.

Expectativas para o futuro da economia brasileira

Para 2026, a projeção é de um crescimento econômico semelhante ao do ano anterior, mas talvez até mais modesto. Juliana Trece indica uma queda no desempenho da agropecuária, que teve um papel crucial no crescimento de 2025. Essa situação pode resultar em um impacto negativo nas exportações, uma vez que a economia dependerá cada vez mais do mercado interno, que ainda está em processo de recuperação.

Como se preparar para um cenário econômico incerto

Com a perspectiva de um ambiente econômico desafiador, é fundamental que as famílias adotem estratégias de resiliência financeira. Isso envolve uma gestão rigorosa das finanças pessoais, priorizando economias e fazendo investimentos em conhecimento financeiro. Preparar-se para eventualidades e adaptar hábitos de consumo são passos essenciais para navegar em tempos de incerteza.

Alternativas para equilibrar o orçamento familiar

Embora o cenário econômico seja complicado, existem alternativas que podem ajudar as famílias a equilibrar seus orçamentos. Algumas dicas incluem:

  • Realizar um orçamento mensal: Anote todas as receitas e despesas mensais para ter um quadro claro da situação financeira.
  • Priorizar gastos essenciais: Focar no que realmente é necessário, evitando compras por impulso.
  • Aproveitar promoções e descontos: Quando for comprar, busque ofertas e condições de pagamento que se enquadrem na capacidade financeira.
  • Buscar fontes de renda extra: Considere opções como freelance ou trabalhos temporários para incrementar a renda.
  • Participar de grupos de troca: Essa é uma maneira criativa de acessar bens ou serviços necessários sem gastar.


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